ANGELA DAVIS


Hoje em dia as pessoas sentem que estão continuamente sob a ameaça de um crime possível, uma sensação que parece ser instigada pela mídia. Essa sensação de pânico é fabricada ou existe alguma verdade nela?

Angela Davis: Os pânicos morais sempre irromperam em conjunturas especiais. Podemos pensar no pânico moral em relação aos estupradores negros, particularmente logo depois da escravidão. O mito do estuprador negro foi o componente chave de uma estratégia ideológica esboçada para reformular os problemas relativos ao gerenciamento de negros recém libertos no período posterior à escravidão. Dessa forma, o pânico moral que rodeia o crime não está relacionado a uma escalada do crime em nenhum sentido material, mas sim a um problema de gerir grandes populações - especialmente pessoas não-brancas - que se tornam dispensáveis pelo sistema do capitalismo global. Esta analogia pode ser superficial, mas acho que funciona.


Nessa complexa rede de relações entre criminalizar as populações, condenações e aprisionamentos, você faz uma sugestão que é brilhante, a meu ver, e muito provocativa. Você diz que a criminalização dos jovens pela pretensa "guerra contra as drogas" ocorreu simultaneamente a uma explosão das drogas psicotrópicas prescritas pelos médicos. Porém existe uma diferença entre crack e prozac, não é?

Angela Davis: Sim. Um fornece lucros estrondosos aos laboratórios farmacêuticos e o outro não - embora as drogas de rua forneçam lucros estrondosos para as economias do submundo da droga. Enquanto hesito discorrer sobre as semelhanças e dessemelhanças, eu diria que há uma enorme contradição entre o discurso da chamada "guerra contra as drogas" e o discurso corporativo no qual drogas psicotrópicas legalizadas, disponíveis por meio de receita médica àqueles que tem dinheiro ou seguro-saúde, são promovidas pelos farmacêuticos como indutores químicos ao relaxamento, à felicidade, à produtividade, etc. 


YEVGUENI ZAMYATIN - NÓS

Distopia russa escrita em 1920. Influenciou Huxley em Admirável Mundo Novo (de 1930), Rand em Anthem (de 1937) e Orwell em 1984 (de 1948).


http://www.mediafire.com/view/f2sq0bhbkjnuci3/No%CC%81s_-_Yevgeny_Zamyatin.pdf











  

Dinheiro, o que significas?
- Sou o sinete dos corações; um coração uma vez
  Selado por mim a ninguém mais amará se não a mim.
Que acontece a teu admirador quando te vais embora?
- Deixo uma marca em seu coração, a qual aí
  permanece eternemente como uma chaga.
Dinheiro, de que mais gostas?
- Mudar de mãos.
Onde fica tua morada?
- No coração daquele que me adora.
Onde te acumulas?
- Onde sou recebido calorosamente.
Onde permaneces?
- Onde sou adorado.

Dinheiro, quem procuras?
- Aquele por quem sou procurado.
Dinheiro, a quem obedeces? 
- A quem se tornou superior a mim, torno-me seu escravo
  e comparo-me à poeira em seus pés.


em Gayan





A IMAGEM É A LÁPIDE DO SONHO

Marcelo Ariel


NO MESMO BARCO


A ideologia oficial das grandes civilizações, em todas as suas variedades, quer nos fazer acreditar que a história real e digna de menção não teria mais de quatro a cinco mil anos, e que a espécie essencial, na qual tendemos a nos incluir, surgiu da névoa justamente naquela época no Egito, Mesopotâmia, China e Índia. Naquele tempo apareceram escrivinhadores e escultores que pela primeira vez nos mostraram o que era o homem. Ecce Pharao, ecce homo – o homem não é mais antigo que a grande civilização, a verdadeira humanidade começando no seu apogeu. Talvez essa tese nunca tenha sido defendida expressis verbis de forma tão crua, mas em essência ela funciona toda vez que humanistas, teólogos, sociólogos e politólogos tem a palavra, a fim de modelar imagens coletivamente eficazes do ser humano. Todos eles fazem com que o “homem” já apareça a partir da cidade ou do Estado ou da nação, sem esquecer algo que seja conveniente para fixar a aparência de grande civilização nas cabeças dos aprendizes culturais. Em contrapartida nunca é demais insistir como sempre foi falso esse doutrinamento e como é funesto, ainda hoje, o seu efeito. A fixação pelas grandes civilizações é o proton pseudos, mentira básica e engano capital, não apenas da história e das humanities, mas também das ciências políticas e da psicologia. Ela destrói, pelo menos em última instância, a unidade da evolução humana e desliga a consciência atual da cadeia das inúmeras gerações humanas que elaboraram nossos “potenciais” genéticos e culturais. Ela ofusca a visão do acontecimento fundamental que se antecipa a toda grande civilização e do qual todos os chamados acontecimentos históricos só são derivações posteriores – o acontecimento global: antropogênese. A apologia atual da grande civilização abrevia a história da humanidade em mais de 95%, até 98% de sua duração real, a fim de ter liberdade para uma doutrinação ideológica e antropológica em alto grau – a doutrina, entendida como clássica e moderna, do homem como um “ser político”. Seu sentido é apresentar o homem a priori como um animal burguês que, para sua realização essencial, pecisa de capitais, bibliotecas, catedrais, academias e representações diplomáticas. Onde quer que a ideologia da grande civilização se tenha estabelecido, apaga-se em cada qual a pré-história – como se cada novo indivíduo fosse um pobre selvagem que, tão rapidamente quanto possível, deve ser amadurecido para a vida em Estados. Se suspendermos a aniquilação da pré-história, então surgirão conhecimentos de uma condição de centenas de milhares de anos da humanidade, da qual só recentemente apareceram preocupantes desvios – desvios cujos efeitos se somam ao que Lévi-Strauss denominou história quente. 

Peter Slotjerdik



HISTÓRIA DOS ÍNDIOS NO BRASIL





sr buridan

● so quero odiar ●
● isso sempre dizia o sr buridan ●
● enquanto mascava sua aveia com mel ●
● depois o resto vira ●
● completava o sr buridan engolindo ●
● sua aveia com o melhor mel rosado ●
● não sou uma coisa q sofre ●
● infinitamente dizia o sr buridan depois ●
● de comer sua gorda aveia com mel ●
● so quero odiar ●
● porq naquele tempo o mundo se tornou ●
● terrivel com todo aquele massacre ●
● nesse tempo e alem não sabiamos ●
● o q sr buriban odiava comendo ●
● sua aveia gorda com mel rosado ●
● permaneci quieto com minha aveia ●
● sempre cheia do mais gordo mel ●
● enquanto homens destroem imperios ●
● so quero odiar ●
● com isso o sr buridan concluia a frase ●
● pra ficar bem junto do tedio e do horror ●
● sendo o resto do tempo calado ●
● se ouvido apenas seus poucos dentes ●
● remoendo a gorda cevada com mel ●
● mas isso nunca nos satisfez ●
● mesmo depois da morte do sr buridan ●
● o q ele tanto odiava não se revelou ●
● so quero odiar ●
● são essas as palavras do sr buridan ●
● sem ar so rasgadas com raiva e rancor ●
● enquanto mascava aveia e mel rosado ●
● se não fosse isso sua sombra taria ●
● muda como seu corpo na vala ●
● dos q morrem sempre por nada de nada ●
● agora diga ?quem trara nossos filhos ●
● é o mesmo q uma punheta na terra ●
● so quero odiar ●
● sim porq outro sr buridan vira ●
● outro pra mascar aveia com mel rosado ●
● mas esse e todos os outros q virão ●
● não poderão dizer so quero odiar ●
● porq nenhum deles sera o sr buridan ●
● nenhum podera mascar aveia com mel ●
● como mascava o sr buridan nem odiar ●
● como so o sr buridan podia odiar ●



Com o objetivo de “examinar e esclarecer o quadro de graves violações de direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988” (Relatório da Comissão Nacionalda Verdade, 2014, vol. I, p. 15) no Brasil foi formada pelo estado brasileiro em 2012 a “Comissão Nacional da Verdade”, que em dezembro de 2014 publicou um relatório final contendo mais de quatro mil páginas. O Texto 5 de seu Volume 2 tratou exclusivamente de violações de direitos humanos dos povos indígenas ocorridas no referido período, em 58 páginas que pintaram mais um quadro triste e cruel. "Não são esporádicas nem acidentais essas violações: elas são sistêmicas, na medida em que resultam diretamente de políticas estruturais de Estado, que respondem por elas, tanto por suas ações diretas quanto pelas suas omissões. […] Como resultados dessas políticas de Estado, foi possível estimar ao menos 8.350 indígenas mortos no período de investigação da CNV, em decorrência da ação direta de agentes governamentais ou da sua omissão. Essa cifra inclui apenas aqueles casos aqui estudados em relação aos quais foi possível desenhar uma estimativa. O número real de indígenas mortos no período deve ser exponencialmente maior, uma vez que apenas uma parcela muito restrita dos povos indígenas afetados foi analisada e que há casos em que a quantidade de mortos é alta o bastante para desencorajar estimativas (Relatório da Comissão Nacional da Verdade, 2014, vol. II, pp. 204-205)






23. SE NÃO FOSSE A LITERATURA, EU SERIA UM PLAYBOY IDIOTA MEXENDO OS QUADRIS NUMA FESTA À FANTASIA.

Diego Moraes
 em A solidão é um deus bêbado dando ré num trator



SCHERZO RAJADA - CONTRA O NAZISMO PSÍQUICO





POR MAIS CANAIS DE EXPERIMENTAÇÃO SENSORIAL ENTRE OS POROS & O COSMOS




Curritipidupapapadocustipado!
A linha patafísica que interessa a mim & à minha sombra é a linha do horizonte.
O oceano é o intérprete patafísico que mais saca a linha do horizonte. É bibliografia líquida. & perfumada.
O único amuleto na vida de um patafísico é o coração.
Patafísica de linha do horizonte, vagabundagem inspirada. Anarquia.
A Baía de Guanabara é muito parecida com a Baía de Guanabara. Isto não parece um coração batendo, isto parece o vento soprando.
Uma pérola na garganta de uma ostra. Uma garota dançando reggae na areia da praia.
O espaço aéreo de um bocejo de fim de tarde. Uma matrix de água. Patafísicas.
Gritos de êxtase na feira do cu. O carnaval é todo dia.
Quem foi que disse que você deveria ser feliz? Masque um chiclé, tome um chope, ligue para sua amiga. Estrelas mudam de lugar. & não se esqueça: alegrias! A Revolta não tem nada a ver com a verdade, mas com as excitantes possibilidades de fazer sexo tântrico com o espírito de sua época. Curritipidupapapadocustipado!
Quando o barão Mollet está montando um sanduíche com duas fatias de queijo, presunto, física, metafísica, patafísica & pepinos, está na verdade querendo dizer:

Salve Xangô
Salve Iemanjá
Mamãe Oxum, Nanã Buroquê
Salve Cosme & Damião
Oxóssi, Ogum
Oxumaré
Patafísica. Patafísica. Patafísica.
A nêntese é um epifenômeno preciso.
Lei número 1: cantar em voz alta no chuveiro. Todos os dias.
Da pândega à patuscada, & dela à farra & de lá pro fuá, depois da folia, direto pro pagode & pro samba, descansar na orgia & na poesia. Patafísica. Amanhã ainda é o terceiro dia. Banque seu jogo, criatura!
As ciências ocultas são um pôr do sol inesquecível para a mente. Resista, criatura!
& se a pegadinha fosse: a vida é um teste sonoro?
Paulo Bruscky continua sendo uma referência.
A festa é um café gostoso. Sol & lua. Tudototal!
Lei número 2: a Revolução Nordestina é uma alegria.
Um sorvete sabor alegria. Uma tarde de sol morno, o sabor alegria na ponta da língua & no vão entre os dedos.
As quatro estações no nordeste na verdade são três: verão & calor. VIVA A REVOLUÇÃO!
É zebra vaca véia!
Só, & apenas só, o Tempo pode ser rei, pois rasga fogo com os dentes.
A espiritualidade ancestral é uma das camadas do fôlego de todo ser patafísico vivente. A espiritualidade ancestral é uma Revolução. A espiritualidade ancestral é muito bem-vinda.
“Tempo Rei”, “Oração ao Tempo” & “Time”.
A rima é um voo de morcego pelas cavernas escuras da linguagem.
A Nova Era é a Revolta. Lírica, claro.
Favor se ligar que, à exceção do Tony Stark, ninguém é de ferro. Menos velocidade, criatura!
É necessário resistir ao presente ferozmente. Por isso: VIVA A CRIAÇÃO!
A Criação & a Revolução têm partes com os nossos poros. Por isso o Cosmos banca nossa fiança.
Os Ramones são uma banda. Os Ramones são também a maior & mais linda perfomance de nosso total fiasco existencial. Há muito barulho & distorção nos fiascos. & há alegria também!
Não confundir alegria patafísica com alegria mastercard. Não confundir cu com bunda, lembre-se.
Nós, patafísicos da era do Black Metal, queremos é avacalhar. Conexões, conexões, conexões.
Como diria Torquato Neto: não adianta matar o príncipe se não matar o princípio.
Quem aumenta seu conhecimento aumenta sua dor. Não acreditamos em rotina & odiamos o capitalismo. A dor é uma rotina capitalista. Portanto, o Eclesiastes está nota mil em matéria de porforice.
A licantropia como antídoto à selvageria capitalista. VIVA A ANARQUIA!
No deserto do real, a máquina de escrever é o oásis do poeta.
A poesia não pode ser bunda-mole. Se for, não é poesia, sacou?
Raimundo Soldado continua sendo uma referência.
A palavra marshmallow foi abolida imaginariamente do vocabulário dos patafísicos de linha do horizonte. A doçura é uma espécie de clave de sol. A palavra marshmallow foi ovacionada pela nossa realidade far west.
A palavra marshmellow tem o charme juvenil do Clube dos cinco.
A palavra marshmellow é muito louca.
Pelas polinizações cruzadas entre lábia & lábios.
Bruxos, sim! Todo patafísico de linha do horizonte é um bruxo.
Deletar da memória da linguagem, escrever um nome lindo na água.
A velha calça desbotada ainda é um paradigma válido. O clima é de guerrilha, mas o coração ainda se derrete ouvindo Roberto.
O coração é uma pulsante ilha-de-eleição.
Quando pintar aquela insônia, projetar nas suas pálpebras aquele beijo que descolou as placas tectônicas. Abrir o mar Vermelho das pálpebras & lá, anarquicamente, projetar-se de mãos dadas com o amor da sua vida. É isso que George Romero, que não acreditava em metáforas, quis dizer com seus apocalipses zumbis. Apocalipsis litteris.
Filar o gargurau na casa de um amigo não é apenas filar o gargurau na casa de um amigo. Não há mais poesia que no abraço.
Passar a mão na bunda do guarda, descer de barril as cataratas do Niágara, ler uma HQ escrita pelo Alan Moore, ver o fim de tarde mijar luz lilás no planeta. Patafísicas.
Poesia é quando uma pedra no meio do caminho se solta do calçamento & voa rumo às vidraças dos palácios – VIVA O COLETIVO P.U.T.O.!
Os patafísicos são putos. Em várias acepções.
Tesão, tesões. Pela livre iniciativa das imaginações amorosas que pavimentam os caminhos que permitem encontros & afetos. Boleros, flertes & beijos a granel. É o único momento em que o tempo para pra prestar atenção na gente.
Uma revolta popular é o momento mais erótico de todos – VIVA O COLETIVO P.U.T.O.!
Ocupar espaço. Chegar chegando. Ocupar espaço é sexy.
Por um carnaval permanente do espírito & da inteligência.
A teoria da poesia (despossessão) é transmissão escrita, a poesia (possessão posêidon exu-caveira) é transmissão oral.
Xamanizar os pores de sol, xamanizar a caligrafia, xamanizar a respiração, xamanizar a vida. Patafísicas.
Amor é quando a garota passa perfume & o garoto passa loção pós-barba & depois saem juntos para dar chêros um no outro. Patafísicas.
O amor é um xamã patafísico.
Ocupar espaço. Um poeta, parça, não se faz com versos. Muita gente já sacou.
Ninguém escapa. Na hora do aperreio, vampiro come chouriço.
É por isso que o céu de São Paulo é cor de Bosch.
Curritipidupapapadocustipado!
Existe, na mente de muitos patafísicos, a gangue imaginária do quarteirão oeste, Os Nuncas. Há uma espera grande na solidão d’Os Nuncas. A última vez que eu não vi um Nunca, ele estava com uma camiseta do Jorge Ben.
Por mil venenos do rato do gabirú, Carmencita!
Curritipidupapapadocustipado!
Apesar das controvérsias, Genésio é eterno!
A expressão patafísica curritipidupapapadocustipado (de origem andreense, coração de alcachofra do ABC paulista) pode ser traduzida por: Pode ser que um dia descobrirão que não serve pra bosta nenhuma. Mas não recue.
Curritipidupapapadocustipado, é bom que se explique woodyallenianamente, não é um neologismo, é um login para os dias onde agrava-se o agradável.
Frank Zappa continua sendo uma referência.
Estações de metrô, catracas de estações de metrô, são áreas de abraços, de beijos de chegada & de partida, portanto, são áreas de Revolução permanente! Ocupar espaço, sempre.
Zona Trash é troo. Vá na fé.
Stephen King é um mago. Barry McGuire também.
Curritipidupapapadocustipado!
A linguagem é uma patafísica esquisita.
O Zéfiro é patafísico.
& quando o Breton diz: são seus olhos, sobrancelhas de nuvens. Um céu lindo de estrelas. Não há mais patafísica no mundo que nisso!
Jamais esquecer: verdades são desinteressantes versinhos bonitos & sorridentes.
O Twisted Sister ainda vai dar o que falar.
Torquato Neto continua sendo uma referência.
Quando ouvir uma canção extraordinária, panssensorial, uma ilíada multilingue, anote o nome. Escreva algo como: “Que puta canção linda!” ou “Essa canção me entende”.
Eu & a minha sombra queremos mesmo é comer com coentro.
Eu & a minha sombra queremos mesmo é moqueca com pimenta.
Eu & a minha sombra queremos mesmo é cantar iê-iê-iê.
Eu & a minha sombra queremos mesmo voar de disco voador.
Eu & a minha sombra queremos mesmo é pecar debaixo do cobertor do lado baixo do Equador.
Eu & a minha sombra queremos mesmo é ler os poemas do Sergio Mello.
Eu & a minha sombra queremos mesmo é uma novela mística indomável, malaca, com partes com Deus, o diabo & Rimbaud.
Eu & a minha sombra queremos mesmo é a eternidade inteira de uma vez. Eternidades que nos acontecem quando ouvimos um samba lindo num fim de tarde num bar quase vazio perto do fim do mundo.
A tristeza é uma metáfora que só serve pra dar dor de cabeça & dar aquele amargor aqui ó. Saca?
Valamenossasenhora!
Hélio Oiticica continua sendo uma referência.
Curritipidupapapadocustipado!
Como diria o Porco Rosso, um porco que não voa é apenas mais um porco.
Quer dizer: isto não é um cachimbo, É MAGIA!
Se você não tá confuso então não tá entendendo nada.
Não tem jeito que dê jeito, portanto, sejamos loucamente felizes, afinal, a vida não dá de comer aos urubus & continua de boa jogando seu fliperama – no boteco da gosma do Cosmos.
Chêros.

(Dia de Samba-rock, amor & uma lua linda no céu da Desvairada, novembro de 2013)


Fabiano Calixto



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REUBEN DA CUNHA ROCHA aka CAVALOdADA


JUREMA PAES - MESTIÇA - 2014


 
 

CAROLINA MARIA DE JESUS - OBRA COMPLETA

PRINCÍPIOS DA ANARQUIA DE LEANDRO PINTO

 

RELATÓRIO FIGUEIREDO





No ano de 1967 o procurador da república Jader de Figueiredo Correia foi incumbido pelo então ministro do interior, Albuquerque Lima, a apurar irregularidades que estavam sendo cometidas pelo SPI, o Serviço de Proteção ao Índio, órgão oficial do estado brasileiro supostamente responsável, desde 1910, por prestar assistência a todos os indígenas de seu território (a Funai – Fundação Nacional do Índio – veio a substitui-lo em dezembro de 1967 e atua até os dias de hoje). Após meses de investigação país adentro, foi produzido um documento que ficou conhecido como “Relatório Figueiredo”, composto por mais de sete mil páginas e cujo conteúdo permaneceu desconhecido da população até 2013, quando foi reencontrado e publicado. Seu teor traz relatos de práticas cometidas por funcionários do estado brasileiro e por terceiros que contavam com a conivência dessas pessoas: "O índio, razão de ser do SPI, tornou-se vítima de verdadeiros celerados, que lhe impuseram um regime de escravidão e lhe negaram um mínimo de condições de vida compatível com a dignidade da pessoa humana. É espantoso que exista na estrutura administrativa do País partição que haja descido a tão baixos padrões de decência. E que haja funcionários públicos, cuja bestialidade tenha atingido tais requintes de perversidade. Venderam-se crianças indefesas para servir aos instintos de indivíduos desumanos. Torturas contra crianças e adultos, em monstruosos e lentos suplícios, a título de ministrar justiça" (Relatório Figueiredo, 1967, p. 4912). Se agiam “a título de ministrar justiça”, o faziam imbuídos da autoridade propiciada por serem funcionários do SPI, um órgão de estado oficial. As páginas que seguem a introdução relatam inúmeras monstruosidades e enfatizam a desumanidade com que os indígenas eram tratados, onde são atribuídos adjetivos como “celerados”, “bárbaros”, “desumanos”, “perversos” ou “bestiais” aos não-indígenas e seus atos de extrema violência em relação aos povos que deveriam, por ofício, proteger. "Reafirmamos que parece inverossímel haver homens, ditos civilizados, que friamente possam agir de modo tão bárbaro. [...] Nesse regime de baraço e cutelo viveu o SPI durante anos. A fertilidade de sua cruenta história registra até crucificação, os castigos físicos eram considerados fato natural nos Postos Indígenas. Os espancamentos, independentes de idade ou sexo, participavam de rotina e só chamavam a atenção quando, aplicados de modo exagerado, ocasionavam a invalidez ou a morte. Havia alguns que requintavam a perversidade, obrigando pessoas a castigar seus entes queridos. Via-se, então filho espancar mãe, irmão bater em irmã e, assim por diante" (idem, p. 4913). 










OZ GUARANI



Então, essa história da colonização, ela existe desde que o mundo é mundo. Não é porque as pessoas dizem que vivemos num mundo pós-utópico, pós-revolucionário, que ela não existe mais. Essa ideia do centro e da periferia, da colônia e da matriz, ela existe. Todos nós estamos aqui discutindo isso. Aquele discurso de “fim da história” é europeu, porque já se esgotou. O Müller [Heiner, dramaturgo alemão] falava que a única possibilidade de reinvenção da história e da arte seria na América Latina, e acho que é por aí.

Francisco Carlos





Desde o século XVII (i.e., desde pelo menos a História do Brasil de frei Vicente do Salvador), narramos uma mesma história sobre uma terra virgem que foi desbravada e povoada por seus descobridores. Esses motivos – virgem, desbravada, descoberta, povoada –, tão recorrentes na historiografia, expressam um modo de relação da sociedade colonial, e depois nacional, com os habitantes desse país. Os povos indígenas não são jamais vistos como sujeitos, mas sempre como parte da paisagem que cumpre dominar. Da perspectiva da descoberta, o Brasil era um vazio feito de rochas, rios, plantas, animais e índios.

Carlos Fausto





ETNOCÍDIO






Se o genocídio remete à ideia de “raça” e à vontade de extermínio de uma minoria racial, o termo etnocídio aponta não para a destruição física dos homens (caso em que se permaneceria na situação genocida), mas para a destruição de sua cultura. O etnocídio é, portanto, a destruição sistemática dos modos de vida e pensamento dos povos diferentes daqueles que empreendem essa destruição. Em suma, o genocídio assassina os povos em seu corpo, o etnocídio os mata em seu espírito. Ele tem em comum com o genocídio uma visão idêntica do Outro: o Outro é diferença, certamente, sobretudo má diferença. Os outros são maus, mas pode-se melhorá-los obrigando-os a se transformar até que se tornem, se possível, idênticos ao modelo que lhes é proposto, que lhes é imposto.

Pierre Clastres






SCHERZO RAJADA CONTRA O NAZISMO PSÍQUICO

 
Scherzo Rajada+Coletivo Rolê: Vídeo-poema de 
Contra o Nazismo Psíquico: imagens de São Paulo em 13 de junho de 2013. 
Direção, montagem & fotografia: Ronaldo Franco.